domingo, 1 de agosto de 2010

O PETRÓLEO EM MOSSORÓ



Carlos Escóssia

A extração do petróleo, em qualquer parte do mundo, é sinônimo de lucros e riqueza próspera. Quando instalam-se as sondas, sejam em terra ou no mar, o clima reveste-se de euforia pela expectativa econômico-financeira que o evento provoca. Parece que das profundezas do solo, junto ao óleo negro e betuminoso que posteriormente gerará cifras astronômicas e incalculáveis, jorram também a ganância e o poder. E enquanto secam os poços, superlotam os cofres de quem fez opção por vasculhar a terra e explorar o povo.

Quando Mossoró apresentou os primeiros indícios de possuir petróleo (1922), acreditava-se que a cidade era um tesouro adormecido e prestes a ser descoberto. Sem dúvida o foi, mas quanto ainda estamos pagando por esse investimento! Não foi preciso debruçar-se em livros para perceber que Mossoró mudou, com a exploração do petróleo em suas terras. Tampouco se fez necessário ser profundo conhecedor do assunto, para detectar que a mudança tem se apresentado como aspectos inúmeros e negativos, hoje visíveis no cotidiano da sua população.

O que se tenciona é alertar para os problemas que o petróleo vem ocasionando para Mossoró, obscurecidos que estão. Mas é contra o tempo que estamos lutando. A cada dia, a cidade vem apresentando mudanças preocupantes nas mais diversas áreas (especificamente, a social, com a proliferação da violência, marginalidade, desemprego e prostituição), sem que o assunto seja sequer discutido por aqueles que podem contribuir para a melhoria ou revertimento dessa situação.

Os chamados “centros de produção do saber” que a cidade dispõe: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, Universidade Federal Rural do Semi Árido – UFERSA, Universidade Potiguar – UNP e a Mather Cristhi, parecem desconhecer a gravidade da questão e fingem não perceber a fundamental participação que deveriam ter nesse contexto. 

Se não bastasse a omissão das Instituições de Ensino Superior da cidade, calam-se também os representantes do poder público municipal, deixando a população à margem e esquecendo que a perpetuação dos miseráveis que o petróleo fez existir, é também e principalmente responsabilidade deles. O futuro que ronda nossa porta parece tão negro quanto o óleo que brota do nosso chão. É preciso devolver a Mossoró, a riqueza que lhe foi arrancada das entranhas, com a maleabilidade brutal que o poder sabe utilizar.

As marcas do progresso nunca foram tão sinistras e evidentes: exploram o nosso petróleo com o mesmo furor com que exploram o nosso povo, armazenam dólares na mesma proporção em que armazenamos dificuldades e problemas de toda espécie. O que parecia sonho tornou-se uma realidade caótica e insustentável. Precisamos, pois, reaprender a sonhar. Vamos à luta, pois se o petróleo é lucro, nossa força é vida, é conquista, é liberdade. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – Geraldo Vandré.

3 comentários :

Jefferson Freire de Lima disse...

Prezado Carlos Escóssia, parabéns pelo excelente e oportuno post. Poucas pessoas do RN estão conceguindo enxergar essa situação e menos ainda têm tido a coragem de abordar publicamente esse tema. A Petrobrás é empresa importante, porém, os efeitos de sua presença na nossa região não são apenas aqueles positivos que ela sustenta na grande mídia, ao reverso, muitos deles, são extremamente negativos para a sociedade e para a economia do Estado. A Câmara Municipal de Mossoró fará uma audiência pública em setembro deste ano, oportunidade em que se tratará desses e outros temas correlatos. Espero encontrá-lo por lá, para legitimar ainda mais a sessão. Parabéns.

claudione disse...

eu recebi o certificado do cursso da iprapeq, e fui chamado pra etagiar em uma terceirizada da petrobras, sera que lá é bom do jeito que o povo fla?

Garotinha.com disse...

Claudione, eu faço um curso relacionado a petróleo e gás e meu professor diz que o lugar menos distante e que tem muitas oportunidades nesta área é em Mossoró, ele recomenda muito. Tanto em relação a emprego, quanto a preparação, existem varios cursos por lá... Inclusive empregos também.