quinta-feira, 10 de junho de 2010

CHUVA DE BALA NO PAÍS DE MOSSORÓ


O “Chuva de Bala no País de Mossoró” é, sem dúvida, uma das maiores referências do Cidade Junina. Lampião só reconheceu ter sofrido uma única derrota em vida: em 13 de junho de 1927, quando foi posto para correr de Mossoró. E o espetáculo ao ar livre, celebra justamente esse espírito libertário dos mossoroenses, ao contar a história de resistência ao bando de Lampião.


A peça é encenada no adro da Capela de São Vicente, que foi palco da batalha vencida pelo povo de Mossoró. São mais de 70 atores, sob a direção de João Marcelino, que encarnam personagens da história, como o prefeito Rodolfo Fernandes, líder da resistência, o padre Mota, a polícia, Lampião e seu bando. Também participam da peça as crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e jovens em instrução do Tiro de Guerra 07-010.


A obra cênica de natureza narrativa, escrita pelo professor e historiador Tarcísio Gurgel, lembra a saga do povo mossoroense de modo simples e direto, como forma de prender a atenção das pessoas e permitir que os visitantes compreendam o episódio sem maior dificuldade.


O Adro da Capela de São Vicente recebe cenário que lembra o dia da Resistência ao bando de Lampião – 13 de junho de 1927. O espaço cenográfico dá a dimensão do fato histórico, transmitindo realismo.


Contexto histórico


De acordo com pesquisas da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, da entrada de Lampião no território potiguar até o assalto a Mossoró, o bando gastou cerca de três dias. Da noite de 9 para 10 de junho, os cangaceiros entraram em território potiguar. No dia 12, chegaram ao povoado de São Sebastião, onde hoje é a cidade de Dix-Sept Rosado. De lá, foi enviado um telegrama para Mossoró, avisando sobre a chegada do bandido. A cidade, que estava em festa, entrou em desespero.


Lampião queria dinheiro de Mossoró. Em bilhete enviado ao prefeito Rodolfo Fernandes, com pedido de 400 contos de réis, ameaçava invadir a cidade caso fosse contrariado. O prefeito decidiu então esvaziar a cidade e montar as trincheiras para recepcionar os invasores.


O confronto ocorreu no dia 13 de junho de 1927. A cidade estava preparada. Eram mais de 200 homens postos e preparados para a resistência. À tarde, por volta das 16h, começou o ataque. Lampião dividiu o bando em três grupos. Um atacou a casa do prefeito; outro a estação ferroviária; o terceiro rumou para o cemitério. Com a resistência armada, o bando recua cerca de uma hora após o início do conflito. Ficam para trás Colchete, morto, e Jararaca, ferido com peito, que foi assassinado no dia seguinte.


Com a frustrada tentativa de invasão e boa parte do bando ferido, Lampião correu de Mossoró com destino ao estado do Ceará. O ato de heroísmo deu a Mossoró o título de única cidade do nordeste a resistir e expulsar Lampião de seu bando.


Quem toma conta do espetáculo


João Marcelino – Diretor Geral


João Maria Marcelino de Oliveira nasceu em 15 de julho de 1959, em Macaíba-RN. É diretor, figurinista e cenógrafo. Já participou de quase uma centena de espetáculos, tendo dirigido quase metade deles.


Danilo Guanais – Diretor Musical


Músico, compositor, maestro e professor da UFRN, Danilo Guanais iniciou carreira artística participando de festivais como compositor, além de ter recebido vários prêmios. Em 1999 participou do CD “Nação Potiguar”, gravado em homenagem aos 400 anos da cidade de Natal. Compôs as músicas para o CD “Missa de Alcaçuz”. No “Chuva de Bala” ele é responsável pelas composições e arranjos musicais que fazem do espetáculo um musical arrebatador.


Tarcísio Gurgel – Autor


Nascido em Mossoró, o escritor e jornalista Tarcísio Gurgel começou aqui seus primeiros passos no Teatro de Estudantes Amadores (TEAM). Mas foi em Natal que sua carreira se consolidou. Autor de “Os de Macatuba”, “O eterno paraíso”, e “Conto por conto”, Tarcísio migrou da poesia para o conto com maestria singular. Seu texto no “Chuva de Balas” associa narrativa histórica com a riqueza das tradições culturais e da bravura de um povo.

Ivanaldo Fernandes - Gerência de Comunicação Social do Município


Nenhum comentário :