domingo, 18 de outubro de 2009

BREVE RESUMO SOBRE O CAPITALISMO EM 20 CAPÍTULOS



CAPÍTULO I

No inicio dos tempos humanos havia grupos (clãs, tribos) que repartiam tudo entre si. Era uma época em que na luta contra a natureza o homem perdia quase sempre. A luta para conseguir alimentos era extremamente árdua e por isto havia períodos de fome. Como sair desta situação?


CAPÍTULO II

Os homens primitivos começaram a aperfeiçoar os instrumentos para a natureza. Surgiram o arco, a flecha, a machadinha e muitos outros instrumentos. O homem começou então a produzir mais do que precisava para o consumo imediato. Iniciou o troca-troca, o intercâmbio. Foi quando surgiu a propriedade privada (na linguagem técnica, chama-se propriedade privada dos meios de produção). Os grupos, os mais bem armados passaram a dominar os mais fracos. Foi quando aconteceu algo de novo...

CAPÍTULO III

Com o aparecimento da propriedade privada surgiu uma sociedade de duas classes: a dos senhores e a dos escravos. Tudo que o escravo produzia pertencia ao senhor (como acontece nos canaviais do Nordeste), inclusive ele mesmo. Acontece que o escravo não estava gostando da situação e começou a ficar “preguiçoso” (aliás, todo homem fica “preguiçoso” quando não detém os meios de produção) e os senhores foram comprando terras uns dos outros. Ai aconteceu outra mudança na página da história: O APARECIMENTO DO FEUDALISMO.

CAPÍTULO IV

Mas o que é feudalismo? – É o regime que se apoiava na propriedade da terra e onde os servos ( e não mais escravos) tinham mais interesse em produzir pos tinham uma pequena propriedade, para pagar impostos ao senhor feudal. Durante toda a Idade Média havia pequenos reinos onde quem vivia num deles não sabia o que se passava no outro. Só quem trabalhava e pagava imposto eram os camponeses, pois os nobres e o clero só queriam moleza. A Igreja nesta época pregava que só o sofrimento e o pagamento de impostos, é claro, levaria o homem ao Reino dos Céus. É quando surge uma nova personagem: O MERCADOR.

CAPÍTULO V

Já estamos em meados do século XV, mas desde o século XI já existia a figura do mercador. Inicialmente tudo era na base da troca, pois não havia dinheiro. Com o tempo o comércio foi aumentando, e os reinos cunhavam suas moedas, o que gerava muita confusão. Resultado: como o centro dos negócios estava em Veneza ela impôs a sua moeda. Os mercadores traziam especiarias, marfins, tecidos da Arábia e de Bizâncio e compravam e vendiam. Enquanto os nobres iam vivendo uma boa vida às custas dos servos, os mercadores iam dando duros. Apareceu uma nova classe: a dos mercadores ricos. Foi quando os portugueses, ingleses, franceses e espanhóis começaram a brigar pelos mares atrás dos mercadores do oriente, da Arábia e da Índia.

CAPÍTULO VI

No século XVI quem financiava os “grandes descobrimentos” eram os banqueiros. Os nobres e os reis deviam até os cabelos da cabeça. E os europeus continuavam roubando e saqueando tudo que encontravam pela frente nas Américas, na Ásia e na África. As cortes européias viviam do luxo e do esplendor as custas dos astecas, dos incas, dos povos saqueados. Com tanto ouro e tanta prata houve um aumento de preços espetacular. Por outro lado, a miséria era grande, os senhores feudais e os reis continuavam a receber artigos, arrendamentos e tinham de pagar preços altos. Resultado: a burguesia começava a mandar. Os camponeses não podiam pagar e eram expulsos violentamente de suas terras. E agora? Como vão viver os senhores feudais?

CAPÍTULO VII

Só tinha uma maneira dos senhores feudais sobreviverem: fazendo guerra contra donos de terras tentando restabelecer os impostos. O desenvolvimento aumentava o valor do dinheiro e a terra fonte de renda. Para fazer a guerra os nobres necessitavam de dinheiro e de armas. Os artesões não produziam em escala suficiente e o jeito era apelar para os comerciantes ricos. Estes emprestavam o dinheiro e ainda reuniam os artesões em casas e galpões dos próprios comerciantes. Os comerciantes estavam numa boa. Emprestavam o dinheiro aos nobres e estes compravam armas aos próprios comerciantes que já explorava o artesão. E como é que Marx chama isto tudo?

CAPÍTULO VIII

Esta fase em que na alta Idade Média – houve pouco a pouco dissolução da Sociedade Feudal e o pequeno produtor foi separado de sua propriedade e tornou-se dependente do trabalho assalariado para conseguir sobreviver, foi chamado por Marx de “acumulação primitiva” ou “acumulação original”. O pobre do pequeno produtor não podia pagar nem ao mercador, nem os impostos ao senhor Feudal e ia trabalhar para um vizinho mais abastado, ou então se tornar artesão na cidade sob os galpões dos ricos comerciantes. Começou ai à história do LUCRO MAIS VALIA. Depois voltaremos a explicar todos os termos complicados: capital, capital excedente, capital-dinheiro, capital-mercadoria, capital variado, capital constante, capital fixo, capital circulante, forças produtivas, meios de produção. Mas só falaremos disto quando surgir o verdadeiro capitalismo com o aparecimento da revolução industrial.

CAPÍTULO IX

Antes das indústrias dispararem nos seus crescimentos, aconteceram coisas interessantes dos séculos XVII e XVIII. Com a decadência do feudalismo foram surgindo os Novos Estados, para eles ficarem fortes, convencionou-se que tinham de estar abarrotados de ouro e prata (como a Espanha, por ex.). De imediato baixaram-se leis proibindo a saída dos metais desses países europeus e foi-se buscar o vil metal nas terras de além-mar e intensificou-se o mercado negro. Os povos da África, da América e da Ásia, foram despovoados, pilhados, escravizados. Logo se formou um circulo: os capitalistas vendiam negros na América para trabalharem de graça e produzirem bens que iam para a Europa ser industrializado afim de novamente serem trocados por negros. Holandeses, espanhóis, portugueses, ingleses, não queriam outra vida.

CAPÍTULO X

No fim do século XVIII o feudalismo dá os últimos suspiros. Surgiu a Revolução Francesa e a Burguesia que estavam definitivamente no poder. Mas antes, fez uma frente ampla com plebeus, artesões, pequenos comerciantes, etc. Só ficaram de fora frente ampla a nobreza e o clero. Surgiu o lema: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, pelo menos da boca pra fora. As Igrejas Católicas, que dizia na Idade Média – “Ao te baterem numa face dá a outra”, agora no advento da burguesia, por ter ficado fora do bolo, começou a dizer que os ricos iam para o inferno. Já os calvinistas e luteranos diziam ao contrário: “Aqueles que não fizerem fortuna não estarão servindo a Deus”. Tem até um livro de Max Weber – “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, explicando isto. Depois da Revolução Francesa os capitalistas tomaram conta de tudo: terras, matérias primas, comércio, bancos, com um único objetivo: O LUCRO.

CAPÍTULO XI

Vamos agora à definição dos primeiros termos. O capitalismo é rico porque o assalariado ganha menos do que merece. Essa diferença é o lucro. Portanto a diferença entre o custo da força de trabalhado ou SALÁRIO e o valor da mercadoria produzida (produto final) dar-se o nome de MAIS VALIA. Quando o operário trabalha 8 horas recebendo o mesmo salário de 4 horas e, portanto produzindo bem mais por menos, temos a MAIS VALIA ABSOLUTA. Mas acontece que, para que surgisse o capitalismo foram necessários anos e mais anos onde se desenvolveram as máquinas a vapor, trens, ferrovias, exploração das minas de ferro e carvão, etc. As máquinas, as matérias primas são chamadas de MEIOS DE PRODUÇÃO. Pois bem, a máquina diminui o tempo de trabalho necessário à produção, mas aumenta o lucro do capitalismo e chama-se a isto MAIS VALIA RELATIVA. No fim desta exposição faremos um esquema fácil sobre o MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA.

CAPÍTULO XII

No século XIX o Capitalismo avançava célere. A situação dos trabalhadores piorava com a jornada de trabalho de até 16horas/dia. Surgiram leis contra a Organização Sindical e contra a danificação das máquinas (a revolta dos trabalhadores os levava a quebrar as máquinas). Mudou a feição do mundo pelo trabalho dos operários. O Estado era capitalista pois os políticos, os juízes criavam leis para proteger o capital e a polícia fazia leis para proteger o patrimônio (como ainda hoje). Por outro lado os economistas criavam as “leis naturais da economia”: “Procure seu lucro e você estará ajudando o Estado” (Adam Smith), “Os trabalhadores são pobres por conta da super população”. (Malthus), “Se os trabalhadores ganharem mais do que necessitam vão produzir muitos filhos” (Ricardo) ou que se diz ainda hoje: “ O salário aumenta a inflação” (Pres. Geisel). Neste mesmo século XIX como todos produziam as mesmas coisas criou-se a CONCORRÊNCIA: precisavam-se colocar mais produtos no mercado, aumenta a produção e o jeito foi pegar o dinheiro nos bancos. Voltou à cena o MONOPÓLIO. Mas porque surge o Monopólio?

CAPÍTULO XIII

O surgimento do Monopólio foi um resultado natural da concorrência, conforme já havia previsto Marx: após certa maturidade o capitalismo concentraria o capital na mão de poucos (oligopólios e depois monopólio). Monopólio nada é mais do que um grupo de empresas que domina o mercado, estabelece os bens que devem ser consumidos sem concorrência. Aconteceu então a primeira grande CRISE do capitalismo no século XIX: as indústrias produziam mais do que o povo consumia (em 1873). Marx havia chamado estes altos e baixos do capitalismo de CICLOS ECONÔMICOS (5): atividade moderada, de prosperidade, de superprodução, de crise e estagnação. Nas crises do capitalismo sempre quem sofre é o operário com desemprego e os baixos salários. Também isto Marx havia previsto. Quando a produtividade do trabalho aumenta a porção do capital constante (os: chama-se capital constante as despesas que não são com de obra e é composto do capital circulante ou matéria prima/ energia e do capital fixo ou máquinas/ instrumentos), diminui automaticamente o capital variável (salário ou força de trabalho ou mão de obra). Portanto o capitalismo está em sua primeira crise conforme Marx já estava dizendo. Como sair dessa crise?

CAPÍTULO XIV

Mas o capitalismo sempre tem dado um jeitinho. Todo mundo apavorado se reuniu no Clube de Paris e decidiu: Vamos colonizar a África. E a dividiram sem cerimônias. Ai resolveu colonizar todo o planeta. América Central, China, etc. E novamente entraram de sola dizimando tudo e “levando a civilização”. Novamente se inventaram fórmulas cientificas: “Os negros são inferiores, pois tem o cérebro menor”, “Os turcos são a raça amarela, doente”, “Os pretos são como os índios não podem se governar”. E por aí vai.

CAPÍTULO XV

Já estamos no século XX e o capital monopolista se consolida cada vez mais. Tem novamente dinheiro nas capitais européias enquanto o resto do mundo estava empobrecido. O capitalismo monopolista que avançava necessitava de colocar seu capital excedente, seus artigos excedentes e controlar novas fontes de matérias primas. Em 1916 Lênin já dizia que se o capitalismo utilizasse seu excedente para desenvolver a agricultura em relação à indústria, se usasse seu excedente para elevar o nível de vida dos povos, não seria capitalismo. Com o capital dos colonizados sendo escassos, baixo preço da terra, baixos salários e matéria prima barata, fica mão-de-obra para os colonizadores.
Acontece , devido à guerra entre os monopólios, uma necessidade de expandir os mercados, todo mundo quer mais um pedaço do planeta. Só tem uma saída! Estoura a Guerra em 1914. Pois é: Karl Marx havia escrito que a guerra não é nada do que dizem, questão de nacionalismo, mas sim uma questão de luta econômica. Verdade. Por isto os socialistas são contra a guerra e em nome da pátria quando na realidade estavam defendendo os interesses capitalistas. Os EUA saem fortalecidos da 1° Guerra Mundial e consolida-se a ultima fase do CAPITALISMO, o IMPERIALISMO (fase superior do capitalismo, capitalismo parasitário, capitalismo em decomposição). Os EUA trataram logo de inventar a doutrina MONROE (América para os americanos, do Norte é claro!) Vamos ver melhor o que é IMPERIALISMO:

CAPÍTULO XVI

Com o Imperialismo não há necessidade de botar os tanques na rua, como nos casos de colonização. O controle é mais inteligente: tratados, concessões, inversões, papel moeda. Isto só é possível com o advento do capital financeiro (união do capital industrial com o capital bancário), ou seja, cada vez mais parte cada vez maior do capital industrial não pertence aos industriais que utilizam. Isto conduz mais ainda ao Monopólio. No Monopólio surgem os cartéis (um acordo comercial entre empresas que conservam a autonomia interna mas se organizam para distribuir entre si cotas de produção, os mercados e determinar preços, suprimindo a concorrência), os trutes (fusão de várias empresas) e por fim o desaparecimento do conceito clássico de NAÇÃO (nação passa a ser um espaço ou unidade espacial de reprodução das relações internacionais do capital). No Imperialismo ou capitalismo moderno, ao contrário do capitalismo concorrencial (onde há exportação de mercadorias), acontece exportação de capital-dinheiro. Com a deslocalização da produção (por exemplo, as filiais das multinacionais) perde-se o conceito de Nação, Estado e Soberania Política. Se você gostar de datas observe o seguinte: Até 1870 o capitalismo concorrencial atinge o máximo, os monopólios existem apenas em embrião; depois da crise de 1873 constituem-se os fragmentos dos cartéis e como dissemos em fins do século XIX houve uma ascensão do capitalismo e uma nova crise (1900), a partir de 1903 os cartéis se instalam definitivamente e está implantando o Imperialismo: a partir de 1914 começa a deslocalização da produção das grandes multinacionais. E não houve mais crise?

CAPÍTULO XVII

Ora... Crise é com o capitalismo mesmo. Em 1929 houve a crise da abundância. A primeira solução foi manobrar em busca da escassez. E eu peço que se lembrem de uma cartinha de Marx a Engels em 1965. “Por que se produz tão pouco? Não é porque os limites da produção estejam esgotados. Não. Os limites da produção não são determinados pelo número de barrigas famintas, mas pelo número de bolsas a comprar e pagar...” Falou e disse “. E nas crises, sempre é trabalhador quem paga: suicídios, desemprego em massa (25% só dos EUA em 1929). A saída foi então diminuir a produção (os capitalistas abandonam o tão decantado liberalismo econômico) e diante do avanço da classe trabalhadora favorecem a instalação do autoritarismo e a guerra. De novo a solução: A Guerra...! A guerra acabaria com a abundância. E onde começou a guerra? – Começou nos países onde havia avanço da classe trabalhadora: Itália, Alemanha. Sacou?

CAPÍTULO XVIII

A II Guerra Mundial veio como mão-de-luva. O Estado que já tinha injetado recursos na economia (na I Guerra) voltou a fazê-lo com mais intensidade: surgiu o Capitalismo de Estado. São os famosos complexos militares- industriais onde militares são atrelados a multinacionais e onde o estado compra tudo. Para que acabar com a guerra se quem vai para a batalha é o trabalhador? E também foi novamente bom para os USA (com a 1º guerra) que não tiveram seu território alcançado, nem suas industrias reduzidas. E agora, na década de 80 como está a crise? Qual vai ser a nova saída do capitalismo? Vamos ver qual o gênio iluminado que vai acertar... Mas que tal discutirmos um pouco o capitalismo no Brasil, na terra de Caminha, nesta terra abençoada por Deus!

CAPÍTULO XIX

A desgraça do Brasil começou com sua descoberta (na época das grandes descobertas). Mas aqui os portugueses encontraram uma barra pesada: os índios não se sujeitavam aos garimpos. Por isto foram taxados de “preguiçosos”. E tinham os padres jesuítas que protestavam contar a exploração e a escravidão. A nossa economia colonial só servia para alimentar a metrópole de açúcar, ouro, tabaco, pedras preciosas, etc. Depois veio a tal independência: não houve problema algum na passagem do colonialismo português para o domínio inglês, pois o nosso modelo já era exportador (aliás, nunca deixou de sê-lo). Assumimos a divida de Portugal com a Inglaterra e pronto: D. João VI pôde voltar tranqüilo para sua terra (em 1820). Por esta época já estava em expansão o comércio baseado no latifúndio escravista do café. Mas o desenvolvimento das máquinas de beneficiamento, das ferrovias, não facilitava o escravismo e sim o trabalho assalariado (daí as primeiras leis de liberação progressiva dos escravos). A questão da falta de braços levou à questão da imigração (os colonizadores) européia que não servia como base escravista mas como incentivo à industrialização latente. Isto porque houve transferência do capital monetarista cafeeiro para a industrialização (imposto do monopolismo internacional). Entretanto, a nossa industrialização foi retardatária (praticamente se à indústria têxtil, produtora de bens de consumo, mas nunca a uma indústria de bens de produção), pois estávamos à espera dos grupos internacionais. E eles vieram na década de 1920. Chegaram por aqui grandes empresas internacionais: American Cofee Internacional, Ford Motor Company, Sidney Ross, Bethlehem Steel (em 1920), Atlantic Refining (1922), Firestone e IBM (1923) e Armour (1924) e por ai vai. Com a crise de 1929, deixamos de ser economia de exportação e passamos a Grande Industrialização, parece até que a gente ia melhorar...! Coisa nenhuma! A Revolução de 30 foi um acordo dos grupos industriais, dos militares e alguns civis para passar na Tuma do café. Não se colocaram em debate as relações de produção existentes: continuamos a queimar café para manter o preço internacional (de 32 a 37 foram queimadas mais de 70 milhões de sacas). Que importa a fome para o capitalista? Importa é manter os preços. Pois é... A Guerra não trouxe benefícios grandes para o Brasil apesar de ter ficado bom tempo fora dela. Realmente as importações foram reduzidas em 50% e o ritmo industrial cresceu extraordinariamente, mas não o suficiente para sustentar o desenvolvimento. E por que?
- Porque os gringos não deixaram implantar em nosso país indústrias de bens de produção. Como já dissemos, fizemos um crescimento industrial invertido: crescemos os bens de consumo antes das bases (bens de produção). A luta de Vargas contra o capital internacional foi infrutífera. A burguesia nacional se associou à internacional e Vargas deu um tiro no coração. Agora vem a era JK...

CAPÍTULO XX (FINAL)

JK abriu as pernas para o capital internacional de vez. Mas antes, Café Filho no outro dia que assumiu, aboliu com a instrução 113 da SUMOC (Superintendência da Moeda e Crédito) qualquer restrição cambial às empresas estrangeiras. Estava aberto o caminho para o ôba ôba: os gringos investiram 240 milhões de dólares em automóveis, máquinas, siderurgia, metalurgia, química, etc. Em 1964, depuseram Jango. Os militares que só vêem o perigo do comunismo na frente sempre se acharam com o direito de arrumar a casa quando as categorias estão reivindicando (este grande partido político brasileiro, O Exército ainda tem influência positivista – de Ordem e Progresso – de Benjamim Constant). O exército brasileiro segue em tudo o modelo americano: do quepe a apostila da lei de segurança nacional. O golpe de 1964, defendeu os interesses do Capital Internacional. Os “milicos” fizeram tudo direitinho: reformularam a Lei de Remessas de Lucro, criaram o FGTS, PIS/PASEP, cadernetas de poupanças, loterias (para engordar o capital nacional). Tudo adequado para o pobre financiar o rico. Ai surgiu à tese de Delfim Neto: concentrar todo dinheiro do bolo para depois repartir. Só que a repartição nunca veio e nem vai vir. Criou-se de novo o modelo agrícola de exportação: produzíamos soja para fora e deixávamos de produzir feijão para dentro da barriga do trabalhador. Os dólares obtidos com a exportação da soja iam para a compra de chapas de automóveis estrangeiro. Resultado: concentramos mais o capital nas mãos externas. Exportamos gêneros alimentícios e o povo passa fome. Depois veio o chamado Milagre Brasileiro, por coincidência junto com a repressão de Médici. Para terminar temos o problema do capital financeiro. Os bancos se unem à indústria (internacional, é claro) e sufocam a indústria e o agricultor nacional. Está todo mundo aperreado com o juro. Mas queriam diferentes; Mas é assim mesmo o capitalismo. Qual a saída? – Somente o socialismo; Mas ai já é outra história. Por hora guardem o seguinte:
- Capitalismo é o regime onde só quem perde é o trabalhador.
- No Capitalismo os que trabalham mais são os que ganham menos.
- Só tem uma saída: organização das categorias em suas associações, sindicatos, partidos políticos.
- Se você não fizer isto, vai ficar cada vez mais pobre e choramingando a vida toda.
APÊNDICE: Se você se interessar poderá ler resumo o modo de produção capitalista e observar uns termos técnicos muito usados em Economia.

GLOSSÁRIO

- Mercadoria:
uma coisa ou um objeto que satisfaz uma necessidade qualquer do homem. Ou uma coisa/ objeto que pode ser trocado por outro.

- Valor Uso:
quando uma mercadoria satisfaz uma necessidade específica. As mercadorias diferenciam-se umas das outras pelo valor de uso.

-Valor de Troca:
ou simplesmente VALOR; é a relação que se estabelece na troca entre duas mercadorias de valores de uso diferentes. Ex: uma bola= duas canetas. Toda mercadoria deve ser considerada de um duplo ponto de vista: valor de uso e valor de troca.

- Dinheiro:
é o equivalente geral comum para todas as outras mercadorias. Fala-se em dinheiro a partir do momento em que é a única mercadoria na sociedade que funciona como equivalente geral. Ex: o ouro.

-Trocas:
são duas: a transformação da mercadoria em dinheiro (venda) e do dinheiro em mercadoria (compra). O dinheiro é o intermediário na troca de mercadorias.

-Mais Valia:
é o acréscimo do valor primitivo do dinheiro posto em circulação. O dinheiro acrescido pela mais-valia chama-se CAPITAL.

- Força de Trabalho:
ou mão de obra; transforma-se no capitalismo em mercadoria que gera a mais-valia (o trabalho excedente do qual se apropria o capitalismo).

- Mais Valia Absoluta:
quando à aumento do lucro do capitalista se dá às custas do aumento da jornada de trabalho, mediante o mesmo salário.

- Mais Valia Relativa:
quando o lucro do capitalista é obtido mediante a redução da jornada de trabalho (através das máquinas).

- Capital Variável:
é à força de trabalho cujo valor é determinado pelo valor dos meios de subsistência necessários. É chamado valor variável porque é ele quem incorpora um novo valor (mais-valia) no processo de produção. Em suma: o trabalhador não recebe o que merece.

-Capital Constante:
é determinado pelos meios de produção, ou seja, despesas que não entram na mão-de-obra (matéria prima, energia, máquinas, instrumentos de instrumentos de trabalho). É chamado constante porque seu valor é transferido para o produto final sem modificação.

-Capital Circulante:
é aquele que entra uma vez no processo de produção. Ex: matéria prima, energia.

- Capital Fixo:
é aquele que entra muitas vezes no processo de produção. Ex: máquinas.

- Forças de Produção:
são aqueles que nos permitem tirar na natureza a subsistência da sociedade. São elas: os instrumentos, a experiência de produção adquirida pelas sucessivas gerações (conhecimentos técnicos-científicos) e hábitos de trabalho (qualificação, habilidade, etc. no oficio). O desenvolvimento das forças produtivas está condicionado pelo desenvolvimento dos instrumentos de produção.

- As Relações de Produção:
são aquelas dos homens entre si no processo de produção, as quais poder ser de diversos tipos (relações livres, relações de dominação, etc).

- Classe Social:
Entende-se por um grupo de pessoas que na produção desempenham papel similar, encontram-se a respeito de outros homens em relações idênticas. A expressão CLASSES SOCIAIS não tem, portanto, sentido senão ao nível das relações de produção: é uma noção que se define pelo tipo de propriedade, ou pela ausência de propriedade e que não deve ser confundida com a noção de CATEGORIA (que se define pela técnica, pelo oficio). Ex: o camponês é uma categoria que não lhe define a classe. Há o camponês rico e o pobre.

-Luta de Classe:
reflete a contradição fundamental que existe nas relações de produção entre exploradores e explorados. As lutas de classes são mais simples ou mais complexas (como no capitalismo). A luta de classe é o MOTOR DA HISTÓRIA.

OBS:.

As forças produtivas e as relações de produção têm ação recíproca. As forças de produção se modificam mais rápido que as relações de produção. Ex: os desenvolvimentos de novos métodos de fundir ferro, o emprego do arado, etc. Entram em conflito pelo desinteresse do escravo em produzir. Ao contrário, as relações de produção estimulam ou entravam o desenvolvimento das forças produtivas. Ex: O fim do sistema escravista desemboca no feudal (onde o escravo é substituído pelo servo que tem parte íntima na produção). O novo sistema (Feudal) por sua vez acumula mercadorias que necessitam transportes (período mercantil). As novas relações de produção estimulam o desenvolvimento de novas forças produtivas (navegação, por exemplo).

Um comentário :

paulina disse...

nooossa senhora!pedi um BREVE RESUMO e ñ um livro mas mesmo assim mto obrigado...