sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

REABERTA A DISCUSSÃO SOBRE 

DIVERSIFICAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES
Depois de divulgado o pior resultado da balança comercial brasileira em 14 anos, que registrou déficit de R$ 3,9 bilhões em 2014, Armando Monteiro assumiu ontem, 7, a pasta do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) ressaltando, entre outros pontos, o desafio de ampliar a participação do Brasil no comércio internacional. “O boom das commodities impôs um ônus diante de nossa acomodação na agenda de reformas. A dimensão da nossa economia não encontra correspondência no tamanho das nossas exportações”, disse o novo ministro em seu discurso de posse no Banco Central. Para ele é falsa a contraposição entre commodities e bens manufaturados. “O Brasil precisa ser competitivo nas duas áreas”, salientou. A questão da necessidade de diversificação da pauta exportadora do Brasil que hoje é, essencialmente, composta de matérias primas (principalmente, grãos, petróleo, minério de ferro) é uma das teclas que vem sendo batidas há tempos por analistas. “Esse ponto ficou meio mascarado durante os anos 2000 porque como estávamos exportando muita commodity, o debate sobre o aumento da exportação de manufatura parecia que ficava nos bastidores. Com a queda do preço desses produtos (câmbio desvalorizado), o foco acaba voltando novamente para essas mesmas manufaturas no sentido de expandir o volume de exportações e a balança comercial ter uma melhora”, salienta Lia Valls, pesquisadora da área de Economia Aplicada da FGV/IBRE.

Quanto ao resultado do saldo deficitário da balança comercial brasileira no ano passado, a economista lembra que, no início de 2014, as previsões eram de superávit em razão do pequeno saldo positivo da balança em 2013 (R$ 2,6 bi) e da esperada melhora da exportação de petróleo — que registrou um déficit substancial de R$ 20 bilhões, em 2013 —, e de outros produtos, entre eles plataformas de petróleo. Porém, não foi exatamente o que ocorreu. De fato, a diferença entre a quantidade de petróleo que foi exportado e importado caiu para um déficit de R$ 16 bilhões, em 2014, mas isso não foi suficiente para compensar a queda de quase R$ 10 bilhões — de R$ 22,6 bi para R$ 13 bi — do saldo superavitário da balança comercial dos demais produtos exportados (todos, exceto petróleo).

Segundo Lia, o resultado ruim da balança comercial no ano passado se deu, especialmente, pela situação econômica delicada da China, um de nossos principais parceiros comerciais, que tem crescido menos; a desvalorização do real que influencia no aumento dos preços da matéria prima exportada ao ser balizada pelo dólar, o que a torna menos competitiva; e o aumento do déficit no saldo das manufaturas que foram exportadas em menor escala devido à crise econômica da Argentina, principal comprador de produtos industrializados do Brasil (automóveis).

Além disso, a ampliação da concorrência de exportação a mercados da América do Sul, entre eles Chile, Bolívia, México e Peru — que passaram a importar mais da China — também jogaram contra o saldo comercial brasileiro em 2014. “A única boa notícia que pode ter tentado contrabalançar todos esses problemas foi a evolução do volume de exportações aos EUA. Cresceu 9%. O principal produto exportado continua sendo o óleo bruto de petróleo, mas em 2014 ampliamos a exportação de turbo hélice de avião e café torrado, por exemplo. Ainda assim, importamos mais dos americanos do que enviamos produtos para lá”, destaca Lia ao complementar que as importações devem sofrer redução este ano devido a alta do dólar. 

Fonte: FGV/IBRE

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