quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

PESQUISA APONTA MOSSORÓ

 COMO UMA CIDADE SEGURA


Segundo dados de pesquisa realizada pelo Delta Economics&Finance/América Economia para a revista Exame, Mossoró é a 50ª melhor cidade grande para se viver no Brasil. No ranking, são apresentadas as 100 melhores grandes cidades no país, segundo 10 critérios. Contudo, algumas avaliações chamam a atenção dos mossoroenses, como o fato de a cidade ter alcançado nota 1,7 em segurança, quando o máximo na categoria seria a nota 2.
 
"Mossoró tem carências em áreas fundamentais para ser uma das melhores cidades para se viver", disse João Freire. Não entendo como puderam colocar a cidade com nota quase máxima em relação à segurança se, no ano passado, tivemos o maior número de assassinatos da história no município, com 193 mortes. A nota 1,7, quase a máxima, seria de índices baixíssimos de violência, o que não representa nossa realidade", afirma o sociólogo João Freire.
 
A consultoria avaliou itens como desenvolvimento da economia, saneamento básico, finanças e gestão pública, bem-estar social e educação, atribuindo notas de acordo com parâmetros. Ao todo, os 10 itens avaliados somariam nota máxima de 77 pontos, sendo que Mossoró ficou com nota final de 42,99. A cidade também chamou a atenção por ser um dos seis municípios das regiões Norte e Nordeste a ficarem entre os 50 primeiros.
 
Numa escala de zero a 10, Mossoró foi classificada com nota 5,54 na área de saúde. Entretanto, usuários lembram que o município tem enfrentado, desde o ano passado, sérios problemas em áreas como ortopedia, realização de cirurgias de baixa e média complexidade e de obstetrícia.
 
"A saúde na cidade está precária, pois muitas unidades de saúde foram fechadas nos últimos anos, enquanto a população só cresce. Além disso, ainda tem a greve dos anestesiologistas e ortopedistas há cinco meses, fazendo a cidade ficar sem fazer cirurgias", disse o estudante Edinal Salustiano.
 
Outras notas atribuídas a quesitos na cidade causaram estranhamento e discordância entre os entrevistados pela equipe do jornal O Mossoroense, como o item "Domicílios", que avalia o acesso da população ao serviço de saneamento, disponível a, em média, somente 56% dos mossoroenses, mas que, mesmo assim, a cidade alcançou nota quase máxima, índice de 4,10 numa escala de até 5. O quesito "Governança" também foi apontado divergente da realidade municipal.
 
"Não entendo como essa empresa de consultoria usou os parâmetros, pois vale ressaltar que acabamos de sair de um período de dois anos de instabilidade política na Prefeitura. Entretanto, quando a nota máxima de 'Governança' seria 27, Mossoró ainda conseguiu 16,61", explica o economista Carlos Escóssia.

Especialista avalia que economia mossoroense pouco avançou nos últimos 30 anos

Ainda segundo o levantamento publicado pela revista Exame, Mossoró recebeu nota 4,44 na área econômica, tendo como critérios os níveis de desigualdade de renda, pobreza, renda e profissionais ocupados com carteira assinada. Contudo, o economista Carlos Escóssia ressalta que a desigualdade social no município ainda é alta, com maior parte da riqueza concentrada nas mãos de poucas pessoas. Ele diz que a economia mossoroense não mudou muito nas últimas três décadas.
 
"Acrescentaria uma avaliação do impacto dos três setores da economia no município. Hoje, o terceiro setor, de serviços e comércio, ainda é o mais forte da economia mossoroense e o segundo setor, formado pela indústria, não mudou muito nos últimos 30 anos, diria que ela quase inexiste. É preciso diversificar as atividades econômicas do município", afirma o economista.
 
Carlos Escóssia explica ainda que o setor do comércio e serviços tem sustentado a economia local, mas é muito suscetível a quedas em outros setores, como vivido no ano passado com a saída de algumas empresas terceirizadas da Petrobras da cidade. Por isso seria fundamental para o município realizar avaliação de potencialidades econômicas para o desenvolvimento da indústria e aumento na produção local.
 
"Seria muito bom se o poder público se unisse às universidades e os diferentes setores para avaliar as potencialidades e problemas pelos quais tem passado a economia local, sem se deixar iludir por avaliações externas", explica Carlos Escóssia.

Fonte: O Mossoroense 

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